UM MINISTRO MUITO FRACO

Em 1970 fiz exames nacionais do 5.º ano – atual 9.º – a todas as 9 disciplinas do currículo.

Alguns dias depois do exame de Matemática, os jornais noticiaram que teria havido furto ou roubo de um envelope com enunciados da prova.

Na altura, não havia Facebook, nem Whatsapp, nem sms, nem telemóveis, nem fotocopiadores, enfim, não havia qualquer meio para divulgar rapidamente o enunciado da prova roubada, a um número significativo de alunos.

Contudo, a decisão do governo não se fez esperar: anulação da prova e repetição por todos os alunos inscritos. Nenhum aluno seria beneficiado pela fraude, nem qualquer aluno seria prejudicado relativamente aos que tivessem tido conhecimento prévio.

Recentemente, veio a saber-se que terá havido uma quebra de sigilo relativamente ao exame nacional de Português do 12.º ano. Segundo leio no Expresso e no Público, confirma-se a fraude. Confirma-se que um conjunto alargado de alunos – não se sabendo quão alargado poderá ser – beneficiaram da fraude, relativamente à generalidade dos alunos.

Não é difícil acreditar que esses alunos vão obter boas classificações no exame; classificações melhores do que as que obteriam se não tivessem conhecimento prévio da prova.

É fácil compreender que esses alunos irão ser beneficiados na sua classificação.

É imediato concluir que, por isso, esses alunos vão ter vantagem no acesso ao Ensino Superior (o que não acontecia em 1970, quer porque se tratava do 5.º ano, quer porque, na altura, faziam-se exames de admissão nas Universidades).

Nestes termos, será óbvio concluir que a preocupação do Governo deveria ser a reposição das condições de igualdade, mandando repetir a prova a todos os alunos, sem prejuízo da punição de quem quebrou o sigilo.

E foi isso que fez o Ministro da Educação?

Não.

O Ministro decidiu que a prova é válida e que – tratando-nos como imbecis – iria identificar e punir os alunos beneficiados pela fraude, o que é manifestamente impossível.

Ora, o que o Ministro está a transmitir é a ideia de que a fraude compensa.

Devo dizer que não esperava diferente decisão: este é um Ministro mesmo muito fraco!

(felizmente, o mesmo não acontece com o seu Secretário de Estado)

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